top of page

Ansiedade não é frescura. Mas também não precisa ser sua rotina.

Foto do escritor: Psicóloga Valéria Guilhermina
Psicóloga Valéria Guilhermina
7 de out.
3 min de leitura

Atualizado: 10 de out.

Travesseiro cobrindo um despertador com a luz vermelha acesa, simbolizando uma tentativa de abafar o sinal de alerta.
Quando o alívio é só um travesseiro sobre o alarme, o barulho continua.


Você já ouviu "relaxa", "pensa positivo" ou "isso é coisa da sua cabeça"? Quem convive com ansiedade sabe que ela não é um pensamento ruim que se espanta com força de vontade. Ela é uma resposta do corpo, e o corpo não obedece a frases motivacionais.


O alarme que dispara com fumaça de torrada


Imagine um alarme de incêndio sensível demais. Ele dispara com a fumaça da torrada, com o vapor do banho, com a vela de aniversário. Ninguém está em perigo, mas o barulho é real: o coração acelera, a respiração encurta, os músculos se contraem e o corpo se prepara para correr ou lutar.


O cérebro tem um sistema de alerta assim, e ele aprende com a experiência. Quando passamos muito tempo sob pressão, com excesso de demandas, de cobrança, de incerteza e de pouco descanso, ele se ajusta para o modo vigilância. Com o tempo, passa a disparar com facilidade, mesmo quando não há ameaça concreta.


Por isso a ansiedade pode aparecer "do nada": na hora de dormir, no meio do fim de semana, diante de uma tarefa simples.



Abafar o alarme não é consertar a instalação


O problema costuma estar no que fazemos depois. Em vez de olhar para o alarme, a gente tenta abafar o som: mais café para aguentar, mais trabalho para não pensar, mais tela para desligar, mais uma taça para relaxar, mais compras, mais comida, mais rotina lotada.


É como colocar um travesseiro em cima do alarme. O barulho diminui por um momento, e parece que funcionou. Mas a instalação continua desregulada, e o alarme volta a tocar, muitas vezes mais alto.


Isso explica uma queixa muito comum: "eu tento de tudo, o alívio vem, mas some tão rápido".


Quando a estratégia é só diminuir o barulho, o alívio dura o tempo do travesseiro.



A naturalização de viver capengando


Há ainda um efeito silencioso. Quando passamos muito tempo funcionando no limite, o cansaço deixa de ser sinal e vira paisagem. "Eu sou assim mesmo." "Todo mundo está exausto." "É a correria." A gente passa a andar capengando e chama isso de rotina.


Só que cansaço constante, mente que não desliga, irritação fácil, sono ruim e a sensação de estar sempre "devendo" alguma coisa não são traços de personalidade.


Muitas vezes são sinais de que o mundo interno está pedindo manejo, e não só mais um truque para aguentar o mundo externo.



O que significa "dar manejo"


Manejar não é eliminar toda emoção desconfortável nem viver em estado de calma permanente. Isso não existe. Manejar é conseguir atravessar as demandas da vida, as de fora (trabalho, família, imprevistos) e as de dentro (pensamentos, memórias, sensações), sem que o corpo entre em alarme a cada esbarrão.


Isso passa por entender de onde vem a reação, e não apenas como silenciá-la. Uma terapia breve, estruturada e focada em resultado, como a TRG, trabalha nessa direção: com protocolo, com começo, meio e fim, e com o objetivo de que você desenvolva autonomia e segurança para lidar com o que a vida traz. A proposta não é viver em terapia para sempre.



Ansiedade não é frescura: sinais de que vale a pena prestar atenção


•       Sua mente continua acelerada mesmo quando o corpo está parado.

•       Você precisa de algo (tela, bebida, comida, trabalho) para "desligar".

•       O alívio vem, mas não dura.

•       Você se acostumou a viver cansado(a) e já não lembra como é se sentir leve.

•       Pequenas coisas geram reações grandes, e você se cobra por isso.


Se você se reconheceu em algum desses pontos, isso não é fraqueza. É informação.



Saúde emocional também é saúde


A gente costuma procurar ajuda quando o corpo dói, quando um exame sai alterado, quando algo "quebra". Com a saúde emocional, tendemos a esperar o limite. Mas ela não é um luxo nem um extra: faz parte de uma vida saudável, assim como alimentação, sono e movimento.


Cuidar do que você sente é cuidar da sua energia, das suas relações, do seu trabalho e do seu futuro.


Considere dar atenção à sua saúde emocional hoje. Ansiedade não é frescura, mas também não precisa ser o seu normal. Dar o primeiro passo pode ser uma conversa.



bottom of page